terça-feira, 10 de abril de 2012

Simples assim

Ser escritor vai muito além de publicar livros e distribuir autógrafos... Isso se torna supérfluo perto do que ele realmente vem a ser.
O verdadeiro escritor entrega-se aos mais loucos mistérios, envolvendo sua mente, imaginação, adaptando-se a noites em claro, silêncio e solidão.
O verdadeiro escritor na maioria das vezes está oculto do resto do mundo, fabricando sonhos, construindo vidas e esculpindo sua originalidade incomum.
Pouco se preocupa com títulos e capas, pois para si tem a confirmação de que o que arrebata de verdade é o conteúdo extraído do seu subconsciente.
Nada mais.
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(Adriana N. Amaral)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Numa manhã de inverno, a chuva fina batia na janela envidraçada daquele quarto embebido de luz âmbar que vinha de um abajur da escrivaninha. Linka estava sentada, o olhar perdido em lugar algum. Seus dedos deslizavam por uma folha de caderno amarelada sobre a mesinha de cabeceira, uma caneta-tinteiro repousava ao seu lado. Polus a observava calado, a barba cobria seu rosto impiedoso. Seus olhos estavam cheios de palavras mudas, essas que Linka bem conhecia. Foi quando ela arriscou:
     - Devo abrir mão dos meus sonhos se quiser viver nesse mundo onde as coisas são reais somente se vivermos com os pés no chão. - Linka não acreditava em suas próprias palavras ao ponto de falar pausadamente cada uma delas como se de si estivessem sendo arrancado cada pedacinho da alma.
     Polus continuou a observar. Calado. Digerindo o momento, mesmo  com a resposta na ponta da língua, deixou que a amiga continuasse.
     - Eu sei que parece loucura mas é que me falaram isso hoje, que devo abrir mão de meus sonhos se quiser viver uma vida real, se quiser sobreviver a esse mundo materialista.
     O único barulho que se ouvia era da chuva contínua salpicando na janela, tudo estava em silêncio, era como se o redor espectasse, quando Polus enfim saiu de sua estadia, o barulho de seus passos entregava sua presença ao quarto. Firme, protetora, sábia...
      Aproximou-se da folha que repousava na mesinha, tomou-a e pediu para que Linka transpassasse para ela cada sonho por menor que fosse, por maior que fosse, por mais louco que fosse. Tomou a caneta-tinteiro e fez menção a ela que obediente começou a escrever um a um, sonho por sonho. Parecia em transe enquanto escrevia, suas mãos estavam firmes, decididas e seus olhos fixos no papel como se sua vida dependesse daquilo; e de fato dependia sim. Entregou a folha escrita de cima a baixo para um Polus sorridente mas contido em seu ar lupino.
     - Agora recorte cada palavra - disse ele decididamente deixando Linka ainda mais confusa - recorte cada uma e depois dobre-as uma a uma, como se fosse fazer um sorteio com elas.
     Linka obedeceu, recortou cada palavra e dobrou cada pedacinho de papel com cuidado repousando-os em seguida na mesinha cor de musgo. - E agora? - Perguntou confusa _ o que faço com eles?
     Polus respirou, aquela calma característica que dava nos nervos. O olhar de Linka não desviava do dele, queria enfim entender o por que de tudo aquilo
     - Junte-os com suas mãos, pegue-os. 
     Linka obedeceu, acolheu os pedacinhos de papel da mesa e segurou-os como ele havia pedido.
     - Agora, minha cara jovem, abra suas mãos com força.
     Linka o observou, o coração começou a acelerar, sentia-o compulsivo ao seu peito 
     -ABRA!! ESTOU MANDANDO!!!
     O eco de sua voz surtiu quente em seus ouvidos, era como se estivesse levando um soco do mundo.
     - NÃO!!! - Disse ela enfim
     - Abra agora essas mãos Linka, deixe que caiam, deixe que desapareçam debaixo do tapete, que voem pela janela, que se percam debaixo da cama. Eu estou mandando, é um conselho, por que não o está seguindo de cabeça baixa como fez quando os outros lhe "aconselharam"? Por que enfim não está me ouvindo como ouviu quando pessoas sem sonhos lhe disseram o que fazer? Por que agora você sentiu vontade de me desafiar? - Sua voz saia ameaçadora, mas ao mesmo tempo convicta, certeira - Eu sei por que, porque agora você tocou em cada um deles, você os segurou, os trouxe para si. Mas não é assim que deve agir; você não deve defender só o que pode tocar e ver, deve defender suas idéias porque elas são mais reais do que você imagina Linka, as suas ideias e ideais são o que fazem você ser o que você é e também chegar onde só você pode chegar. Acredite mais em si para que no final da vida não se arrependa de ter vivido em cima de uma mentira materialista e limitada de seres humanos comuns.
     Linka chorava, não de tristeza mas de ter ouvido tudo que mais precisava. Guardou os pedacinhos de papel na gaveta e olhou pro amigovque sorridente mostrava a luz que entrava pela janela. A chuva havia passado assim como a sua incerteza. O tempo estava alaranjado e ela pode ver seus sonhos dançando pelos ares, certos de que seriam um a um explorados até o ultimo dia da sua vida não materialista.
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(Adriana N. do Amaral)
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Crônica baseada em meu livro A TRILHA MÁGICA onde os personagens Linka e Polus fazem parte

sábado, 28 de janeiro de 2012

Você pousou em minha vida com a leveza e a grandeza de um ser mágico
 sorriso repleto de luz, olhar repleto de cor.
Foram suas palavras que me abraçaram, foi o seu carinho que me resgatou daquele canto cinza onde eu me encontrava, deitada sem forças para levantar.
Sinto como se estivesse voltando ao meu mundo há tempos perdido pelas circunstâncias da vida.
É como se uma mão invisível, estivesse segurando a minha, me puxando suavemente, quente e protetora,
sinto a brisa tocar meu rosto como um beijo de boas vindas.
Sinto uma presença que acalenta meus sonhos, que me leva rumo ao desconhecido onde sempre escolhi estar. E enquanto não achamos o portal pra Nárnia, aventuramo-nos por outros arredores mágicos em páginas de livros esquecidos, em poemas soltos que ninguém mais lê, em quadros pintados largados em sótãos abandonados, em melodias milenares... Mas o mais importante, é que mesmo distantes, permaneçamos juntos em coração até que a realidade nos una para que algo realmente extraordinário aconteça em nossas vidas ^^
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Adriana N do Amaral

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Pedido sincero

Preciso de alguém  pronto a mostrar seu mundo e preparado pra conhecer o meu.
Preciso de alguém que não fuja da chuva quando ela estiver convidativa,
que pule nas poças e me puxe pelo braço sem medo de se molhar, ou com medo que eu me molhe
que dance comigo mesmo sem ritmo, que sinta a batida mesmo na falta do som. 
Preciso de alguém que me conte histórias do espaço sideral, de outros mundos, portais, espadas e conquistas mesmo tendo certeza de que conheço todas.
Preciso de alguém que acredite nos livros, que leia comigo deitado numa grama qualquer. Preciso de alguém que busque a liberdade, sonhe com o futuro e tenha em mente que nada na vida é fácil, mas que juntos nos tornamos fortes o suficientes pra conquistarmos o que desejamos. Preciso de alguém maduro o suficiente pra encarar os desafios da vida mas que preserve a criança dentro de si e se orgulhe da criança que existe em mim.
Preciso de alguém que jogue video-game comigo, que assista Senhor dos Anéis sem reclamar que é um filme longo, que cante musicas de animê mesmo sem saber japonês, que ria das minhas piadas sem graça, e que conte as mais sem graça pra me fazer rir. Preciso de alguém que me olhe nos olhos e enxergue que minha alma só pede por um alguém sincero, verdadeiro, que supere limites, que saiba esperar em Deus, que me respeite e me aceite como sou e que só abra a boca pra dizer eu te amo quando estiver certeza de que é pra sempre e não uma simples atração física que sinceramente, não faço questão nenhuma de despertar em ninguém ^^
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Adriana N. Amaral

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

amor verdadeiro

Se o amor for verdadeiro, será benigno
não destruirá sua visão, seus sonhos, sua fé
não ferirá a sua alma nem seu coração
seguirá contigo por onde quer que fores
se mostrará forte quando você se sentir fraco
chorará e sorrirá contigo
será o seu melhor amigo...
Se for verdadeiro, não largará sua mão
e sim vai apertá-la com força para certificar-se de que estas seguro.
Por isso, leva tua vida de acordo com teus propósitos
se for amor, resistirá
e se for de Deus, permanecerá para todo o sempre...
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(Adriana N. Amaral)

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

o vento e o tempo

O mesmo vento que te trouxe pra mim, decidiu te levar
não sei bem pra onde, não sei se vai demorar ou se ao menos vai voltar
A resposta está no tempo
que nos ensina esperar
que nos ajuda a superar
e que nos mostra que muitas vezes o melhor é aceitar

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(Adriana N. Amaral)

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Quem dera poder habitar em uma biblioteca, cercada de mestres mudos com tanto a dizer; 
deslizaria sem receio pelos corredores abarrotados de mistério e silêncio
labirinto de conhecimento, onde quero me perder
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Adriana N. Amaral

sábado, 16 de julho de 2011

reflexo

Dois homens estavam sentados a beira de um abismo. O vento úmido era o único som que ouviam além de suas vozes salpicadas pelo frio das montanhas. O homem mais velho falou enquanto observava o mover preciso das nuvens:
- É repugnante as vezes viver nesse mundo, onde estou cercado por pessoas falsas que me fazem odiá-las a cada dia em que tenho a obrigação de encará-las. 
O homem mais novo digeria suas palavras em silêncio o olhar perdido no infinito e a mente funcionando a todo o vapor; levantou-se de súbito e aprumou os pulmões gritando com todas as suas forças:
-EU ODEIO VOCÊ!!!!!!!!!
Todo o redor, preciso e vivo, colossal e ameaçador pareceu captar a mensagem, e em menos de um segundo o grito foi devolvido num eco tríplico ensurdecedor:
-EU ODEIO VOCÊ! EU ODEIO VOCÊ! EU ODEIO VOCÊ!
Logo fez-se silencio e por fim, o homem mais novo apoiou-lhe as mãos nos ombros e falou:
- Não seria tão repugnante se partisse de você o fato de não encará-las, mas simplesmente olha-las e cumprimentá-las. Somos um reflexo de tudo o que fazemos, a vida nos devolve o que lhe atiramos. O que você recebe do mundo nada mais é do que você tem dado a ele. 
Essas palavras foram como um soco na sua vulnerável realidade. Seu olhar estava tão perdido quanto sua falsa razão que havia batido em retirada. O vento assoprava frio agora, mas o céu se fazia mais azul do que nunca e as nuvens haviam se dissipado. O homem mais velho se levantou e disse:
- Seria mais fácil eu sentir raiva de você nesse momento,  mas não consigo e você sabe me dizer por que?
- Sim - disse o homem mais novo - é porque eu não lhe disse o que você queria ouvir, e sim o que você precisava escutar.
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(Adriana N Amaral)
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terça-feira, 21 de junho de 2011

romancista

Não quero ser uma romancista de meias palavras
que pisa de salto na sociedade
e deixa rastros de Caron’s Poivre ao passar
Não quero ser uma romancista que causa com a capa
que vende luxúria
mas deixa o conteúdo a desejar
Não quero ser uma romancista degradante
que brinca com palavras difíceis
abusa de diálogos pomposos
e afasta a criança da estante
Não quero ser uma romancista de milhões de cópias vendidas
atalhada numa falsa notoriedade
que seduz com batom e sombra nos olhos
mas as letras, estas estão há muito perdidas
Não quero ser uma romancista sem calor
dona de páginas frias e calculadas
e sim a escritora dos pés descalços 
que nas tardes ensolaradas, pega um livro, deita na grama e abraça o escritor

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A simplicidade pode ser encontrada nas páginas dos melhores livros
e os melhores escritores se encontram nessas páginas
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(Adriana N. Amaral)

sábado, 18 de junho de 2011

Ser escritor, é bem mais que saber dominar as palavras; ser escritor é viver em muitos mundos além do seu, é participar e fazer parte da vida de seus personagens, é amar as letras no momento em que elas te dão mais trabalho. É tentar tocar as imagens que a mente lhe revela. É sorrir pro invisível quando ele só é visível a você. É criar trilha sonora para sua obra e ouvi-la meio ao silêncio. É acordar no meio da madrugada com  alguma idéia mirabolante e acreditar que ela pode fazer a diferença. É sentir o cheiro da aventura e querer que sua historia seja lida, contada, e assim repassada mesmo depois de sua morte... 
Enfim, ser escritor é ter o dom de abrir portais em milhares de mentes, e implantar ali o mundo que antes só existia dentro da sua imaginação. Ser escritor é basicamente isso, o resto é supérfluo.
 
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(Adriana N. Amaral)

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